Os nossos filhos também renascem connosco.
- Inês Marques
- 5 de abr.
- 2 min de leitura

Os nossos filhos também renascem connosco.
Eles mudam todos os dias. Deixam morrer partes deles que já não lhes servem: a birra que já não fazem, o medo que superaram, a dependência que se transforma em autonomia. E nós, se estivermos atentos, renascemos um pouco com eles.
Somos convidados a ajustar, a desaprender, a reaprender. Somos convidados a seguir o crescimento deles com o nosso próprio crescimento.
E, neste movimento, percebemos que a parentalidade não é apenas sobre orientarmos o caminho deles… é também sobre deixarmos que eles iluminem o nosso.
A cada descoberta, eles devolvem‑nos uma parte de nós que estava adormecida; a cada desafio, mostram‑nos onde ainda podemos crescer; a cada gesto espontâneo, lembram‑nos da simplicidade que a vida tantas vezes nos pede.
É como se, a cada nova fase deles, uma nova fase se abrisse em nós. Uma nova oportunidade de sermos mais pacientes, mais conscientes, mais verdadeiros. Uma oportunidade de praticar aquilo que desejamos ensinar.
Porque, no fundo, crescemos em espelho: eles aprendem a ser pessoas no mundo e nós aprendemos a ser pessoas com eles.
E talvez seja essa a maior beleza da parentalidade, a forma como nos transforma, sem aviso, sem guião, sem pressa… mas sempre na direção de algo mais inteiro, mais leve e mais nosso.
Talvez o maior renascimento seja este: percebermos que a parentalidade não é um percurso linear, mas um ciclo contínuo de transformação. Não existe uma versão final de nós, nem deles. Existe uma dança entre o que deixamos ir e o que escolhemos trazer ao mundo em cada nova fase.
E quando aceitamos esta dança, quando deixamos de lutar contra o que muda e passamos a acolher o que se revela, tudo se torna mais leve. Descobrimos que não precisamos de saber tudo, nem de controlar tudo; precisamos apenas de estar disponíveis para aprender, reparar, recomeçar.
Que possamos, então, honrar cada pequena "morte" como parte do caminho e celebrar cada renascimento como oportunidade de nos tornarmos mais conscientes, mais presentes e mais humanos. Porque, no fundo, crescer com os nossos filhos é o maior presente que esta caminhada nos oferece, um presente que nos devolve, pouco a pouco, à nossa própria essência.




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