Um dos principais desafios enquanto pais é encontrar um equilíbrio saudável no uso das tecnologias.
- Inês Marques
- 1 de mar.
- 3 min de leitura

As tecnologias vieram para ficar e os nossos filhos nasceram nesta era. Estão frequentemente exposto a dispositivos eletrónicos como televisões, smartphones, tablets e computadores.
Estudos elaborados pelas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) referem que as tecnologias podem ser uma ferramenta educacional valiosa, pois permitem aceder a um conjunto de informações e recursos apenas com um clique. Sem esquecer que é um meio que permitem estarmos conectados com os amigos e familiares. Por outro lado, o uso excessivo destes meios pode ter efeitos negativos na saúde física e mental.
Um dos principais desafios enquanto pais é encontrar um equilíbrio saudável no uso das tecnologias. É importante ensinar aos nossos filhos como usar a internet de forma responsável, como pesquisar com segurança, como identificar informações confiáveis, como proteger a privacidade deles e que há um mundo «maléfico» nas tecnologias que devemos dar a conhecer, sem transmitir medo.
Além disso, é fundamental estabelecer limites de tempo no uso dos ecrãs, garantindo que a criança tenha tempo para brincar, efetuar atividades físicas, aprender outras temáticas e interagir socialmente.
Qual o limite de tempo para o uso das tecnologias?
Este é um grande desafio. Não há certos nem errados. Contudo, pediatras e a OMS recomendam que as crianças não usem ecrãs antes dos 2 anos. Desde os 2 anos até aos 5, o tempo de uso deve ser limitado a, no máximo, uma hora por dia, com o conteúdo a ser supervisionado pelos pais. Para as crianças mais velhas, o tempo de uso pode ser aumentado, desde que seja equilibrado com outras atividades saudáveis.
Importa lembrar que cada criança é única e os pais devem avaliar individualmente a quantidade e a qualidade do tempo que o seu filho passa frente aos ecrãs.
A experiência com os meus filhos tem sido diferente. O João começou muito mais tarde a lidar com as tecnologias, enquanto a Madalena teve acesso mais cedo.
O mais velho, que tem 19 anos, foi sempre cumpridor e nunca sentimos necessidade de impor muitos limites; já a mais nova foi ao contrário. Ela, agora com 13, teve um número específico de horas por dia e o telemóvel tem controlo parental através de uma aplicação. Sempre que lhe dávamos a oportunidade de estar mais tempo conectada sentíamos uma alteração comportamental: ficava mais agressiva e muito menos colaborativa, pois tinha dificuldade em parar. Hoje em dia, já não controlamos o número de horas. Não sentimos necessidade de o fazer, pois na escola não o pode usar e, entre escola, estudar, futebol e descansar, sobra pouco tempo para estar conectada às redes e ela não manifesta alteração do comportamento. Contudo, permanecemos curiosos e atentos ao que eles vêm e exploram. Não andamos sempre em cima para não os afastar, mas vamos conversando sobre.
As tecnologias têm um papel importante na vida deles, sem dúvida, mas é essencial educá-los sobre o uso responsável, estabelecer limites adequados e promover competências sociais e emocionais que os ajudem a navegar pelos desafios que surgem com o uso das tecnologias.
Deixo algumas orientações importantes sobre o uso de dispositivos na infância:
Os dispositivos móveis não devem ser usados antes dos 2 anos;
Entre os 2 e os 5 anos as crianças devem ter acesso apenas durante uma hora;
O tempo para as crianças mais velhas pode ser aumentado desde que equilibrado com outras atividades;
É essencial educá-las sobre o uso responsável, estabelecer limites adequados e promover competências sociais e emocionais que os ajudem a navegar pelos desafios que surgem com o uso das tecnologias.
O equilíbrio é a palavra-chave quando se trata da relação das crianças/adolescentes com as tecnologias. Cabe a nós, pais, orientar, acompanhar e estabelecer regras claras, promovendo o diálogo aberto e a confiança. Ao estabelecermos limites bem definidos na educação digital e incentivarmos a outras atividades, contribuímos para que os nossos filhos cresçam capazes de tirar o melhor partido desta era, sem comprometerem o seu bem-estar físico, emocional e social.
Este texto resulta da adaptação de um excerto do meu livro à minha realidade atual.




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